COVID-19: dois laureados com o Nobel de Medicina defendem o tratamento precoce

Ao mesmo tempo, "divulgadores científicos" brasileiros taxam de "negacionistas" aqueles que falam desses medicamentos

Em 2008, o médico virologista francês Luc Montagnier, 88, foi laureado com o prêmio científico de maior relevância no mundo, o Nobel de Medicina. Sua contribuição à ciência foi a descoberta do vírus HIV, causador da AIDS.

Em uma entrevista recente para o jornal France Soir, o cientista afirmou que tomará hidroxicloroquina e azitromicina, dois medicamentos baratos, genéricos e sem patentes, caso contraia o vírus que provoca a COVID-19.

A combinação de hidroxicloroquina com azitromicina para combater a COVID, defendida por Montagnier, é a proposta de tratamento de seu conterrâneo, o cientista Didier Raoult, professor e diretor do Hospital Universitário IHU-Mediterranée Infection, em Marselha, no sul da França.

Raoult é classificado pelo site Expertscape como o maior especialista no mundo em doenças infecciosas. Em seu longo histórico de pesquisas, ele já publicou mais de 3 mil estudos catalogados na plataforma Pubmed, o maior banco de estudos científicos no mundo.

O centro que Raoult dirige, considerado de excelência, tem produzido, desde o início da pandemia, um grande número estudos comprovando a eficácia da combinação de medicamentos na redução da mortalidade entre os infectados pela doença.

O maior estudo publicado pelo hospital universitário ocorreu com 3737 pacientes e constatou uma redução de mortalidade de 59% quando o cocktail de medicamentos foi usado em tratamento precoce. É revisado por pares e foi publicado na revista científica Travel Medicine and Infectious Disease.

Outro laureado com o maior prêmio da medicina a se posicionar a favor do tratamento precoce é o japonês Satoshi Omura, 85, vencedor do Nobel de Medicina em 2015. A principal contribuição de Omura à ciência foi a invenção da ivermectina, outro medicamento sem patentes que tem demonstrado constante eficácia no tratamento da COVID-19. Seu posicionamento a favor do medicamento foi externado logo depois que a Associação Médica de Tóquio passou a recomendar a Ivermectina para evitar o agravamento da doença causada pelo coronavírus.

Em longo artigo científico revisado por pares e publicado na conceituada revista científica The Japanese Journal of Antibiotics, Omura, juntamente com outros três cientistas, avaliaram diversos estudos, como o de Niaee, um teste de eficácia randomizado, “padrão ouro”, executado no Irã, que constatou uma redução de mortalidade de mais de 80% entre os pacientes tratados com o medicamento.

“Uma meta-análise relatou melhorias de 83% no tratamento precoce, 51% no tratamento tardio e 89% na prevenção de COVID-19. A probabilidade desse julgamento ser um erro é tão baixa quanto 1 em 4 trilhões”, complementou Omura em sua publicação.

No fim do artigo, ao se referirem a invermectina, os cientistas lembraram de outro medicamento que revolucionou a medicina: “Pode até revelar-se comparável aos benefícios alcançados com a descoberta da penicilina, dita como uma das maiores descobertas do século XX”.

O jornal japonês Daily Shincho, informa que Omura insiste em que uma aprovação especial seja concedida para tratamento no Japão. “Os ensaios clínicos levam tempo, mas devido à abundância de dados no exterior, pode não ser necessário realizar ensaios clínicos no Japão”, afirmou.

“Algumas pessoas morrerão se estiverem esperando por um ensaio clínico”, complementou Omura.


Sobre a eficácia da Hidroxicloroquina

Hoje, 11 de Abril, existem 30 estudos em tratamento precoce usando a hidroxicloroquina. Em todos eles, os grupos de tratamento alcançaram resultados clínicos superiores aos grupos comparativos não medicados, em casos de estudos observacionais, ou dos grupos que receberam placebos, nos casos dos estudos “padrão ouro”.

Em revisão sistemática - o mais alto nível de evidência científica - revisada por pares e publicada na revista científica New Microbes and New Infections, os cientistas C. Prodomos e T. Rumschlag,  concluíram que a hidroxicloroquina é eficaz em tratamento precoce: “Nenhum estudo imparcial encontrou resultados piores com o uso de HCQ. Nenhuma mortalidade ou eventos adversos de segurança graves foram encontrados”.


Sobre a eficácia da Ivermectina

Em uma meta-análise - igualmente o mais alto nível de evidência, como as revisões sistemáticas - disponibilizada por Stefanie Kalfas, da conceituada Universidade de Melbourne, na Austrália, concluiu que houve “benefício de mortalidade positivo, tempo reduzido para recuperação clínica, incidência reduzida de progressão da doença e duração diminuída de admissão hospitalar em pacientes em todos os estágios de gravidade clínica”.

Em outro estudo científico, o The BIRD Recommendation on the Use of Ivermectin for Covid-19, um esforço filantrópico colaborativo envolvendo um grupo internacional de profissionais de saúde, disponibilizou recentemente uma meta-análise e concluiu que a ivermectina pode reduzir o risco de morte entre pacientes com COVID-19 em 68%, além de constatarem que efeitos colaterais graves não são frequentes. A profilaxia entre aqueles com alta exposição pode reduzir o risco de infecção em até 86%, concluíram os cientistas.

A mais recente meta-análise sobre o medicamento foi publicada na prestigiada revista científica Pharmacological Reports. É revisada por pares, o que garante a integridade científica do estudo. O esforço foi liderado por Chia Siang Kow, da International Medical University, de Kuala Lumpur, na Malasia. Os cientistas concluíram que “o efeito estimado da ivermectina indicou benefícios de mortalidade”.


No Brasil, "divulgadores científicos" taxam de "negacionistas" aqueles que falam desses medicamentos

Enquanto dois premiados com o Nobel, entre outros cientistas de alto prestígio no mundo todo, mostram visões positivas em relação aos tratamentos com os dois medicamentos, em contraste, divulgadores científicos com espaço na grande mídia brasileira forçam uma narrativa de que, por apenas falar do assunto, as pessoas são malucas, dementes ou terraplanistas. “Além de proporcionar falsas esperanças às pessoas que acreditam nas informações infundadas que recebem, é inevitável que causem impacto negativo na pandemia.”, afirmou Natalia Pasternak em uma coluna no Jornal O Globo no fim de dezembro, quando falava sobre a ivermectina. Além disso, Natália é convidada frequente de canais de televisão com a Globonews.

Outro influencer científico que ganhou fama durante a pandemia é Atila Iamarino. Ele já possui mais de 1 milhão de seguidores no twitter, número que tem crescido constantemente desde o início da pandemia. O youtuber, formado em biologia, também é figura frequente em debates televisivos e já soube aproveitar a fama repentina: tornou-se garoto propaganda de anúncios de televisão, onde, ironicamente, em uma campanha publicitária, ele alertou sobre “Fake news”. Ao se referir a hidroxicloroquina, Átila costumeiramente ironiza. “A gente precisa daquele dinheiro que gastamos com a balinha de cloroquina”, afirmou em janeiro, quando revisões sistemáticas já estavam revisadas e publicadas.

“Enquanto diversos cientistas sérios do mundo estudam vários medicamentos para tratar a doença, alguns outros que se dizem cientistas preferem ficar acusando e rotulando nas redes sociais aqueles que buscam soluções. Basta você verificar quais são os melhores argumentos e qualificações”, afirmou Matheus Ferreira, especialista em farmacologia clínica.


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