Quanto mais o especialista recebe da indústria farmacêutica, mais ele é contra a hidroxicloroquina, diz estudo

"Não existe almoço grátis'', afirmou o vencedor do Prêmio Nobel Milton Friedman. A frase é citada no estudo.

Um dos maiores furos jornalísticos de toda a pandemia não é o resultado do trabalho de jornalistas investigativos, mas de cientistas.  Publicado na forma de artigo científico na revista New Microbes and New Infections, o estudo foi conduzido pelos cientistas Yanis Roussel e Didier Raoult, ambos do IHU Méditerranée Infection, um centro de excelência em pesquisas localizado em Marselha, no Sul da França.

Os dois autores efetuaram o cruzamento das opiniões públicas dos especialistas do órgão francês CMIT — Conselho de Professores em Doenças Infecciosas e Tropicais, sobre o tratamento da COVID com hidroxicloroquina e os valores recebidos, da Gilead, por cada pesquisador.

O levantamento revelou que apenas 13 dos 98 membros do CMIT não receberam qualquer benefício, remuneração ou convênio da Gilead Sciences, a fabricante do Remdesivir, nos últimos anos.

Quanto mais dinheiro os especialistas ganharam da empresa, mais desfavoráveis foram suas opiniões sobre a hidroxicloroquina. Os nove especialistas com opiniões "muito desfavoráveis" ganharam uma média de 26.950 euros da Gilead.

No levantamento, apenas oito desses 98 especialistas foram muito favoráveis ao tratamento com a hidroxicloroquina. A média de valor recebido por eles pela empresa foi de 52 euros. Alguns desses "muito favoráveis" ao tratamento com hidroxicloroquina não receberam nada.

Ninguém sem relação monetária com Gilead ficou contra a hidroxicloroquina. "Ao todo, apenas 13 médicos de 98 membros do CMIT não receberam qualquer benefício, remuneração ou acordo da empresa Gilead Sciences entre 2013 e 2019. Dentre esses 13 médicos, sete eram muito favoráveis ​​ao uso da hidroxicloroquina, um era favorável, um era neutro e quatro não se posicionaram", concluíram os cientistas.

Os cientistas queriam demonstrar a influência coercitiva desses conflitos durante a pandemia de COVID-19. "Ficamos impressionados com o nível de correlação, que provavelmente é uma das explicações para a violência do debate que tem ocorrido sobre o uso da hidroxicloroquina", disseram os autores.


Remdesivir, da Gilead, custa R$ 17 mil por paciente

Enquanto a hidroxicloroquina é um medicamento barato, genérico e sem patentes, o Remdesivir, do laboratório Gilead, aprovado pela Anvisa, custa R$ 17 mil por paciente, segundo reportagem da CNN Brasil. Por comparação, numa pesquisa rápida pela Internet, uma caixa com seis comprimidos de hidroxicloroquina custa cerca de 18 reais. 

"Remdesivir pode não curar o coronavírus, mas está a caminho de faturar bilhões para Gilead", dizia a manchete do Washington Post, um dos mais importantes jornais dos EUA, em setembro do ano passado. "Opções limitadas ajudaram o remdesivir a ser lançado comercialmente em tempo recorde".

Já o jornal Valor Econômico, no início do ano, noticiou: "Uso do remdesivir contra covid-19 impulsionou lucros da Gilead acima do esperado”


Não é só na França. No Brasil é "Patrocínio diamante"

No Brasil, o 12º Congresso Paulista de Infectologia, ocorrido entre novembro e dezembro de 2020, evento que contou com apoio da SBI - Sociedade Brasileira de Infectologia, entidade que se declara contra o uso da hidroxicloroquina no combate da COVID-19, teve a Gilead, fabricante do Remdesivir, como patrocinador "Diamante".

Além disso, o evento teve o patrocínio da Janssen, como "Platinum" e da Pfizer, também como "Diamante", ambas fabricantes de vacinas e que tiveram autorização de emergência nos EUA e Brasil. Já o site da FDA, agência governamental dos EUA, nos informa a lei: as autorizações de emergência acontecem quando não há alternativas, como tratamentos usando medicamentos sem patentes, genéricos e baratos, devidamente aprovados.


Checador de fatos patrocinado

Dia 16 de agosto publiquei, aqui neste espaço, uma notícia sobre um estudo de profilaxia da COVID-19 usando hidroxicloroquina. Eu noticiei que o resultado encontrado pelo estudo foi a redução de até 75% no risco de contrair a doença devido ao medicamento. O Estadão Verifica, checador de fatos do jornal O Estado de S. Paulo, classificou a notícia como "Enganosa", reduzindo o alcance da publicação pelo Facebook. Ou seja, a notícia sofreu uma espécie de censura.

A jornalista Paula Schmitt, do Poder 360, informa, em sua coluna, que o patrocinador do "Estadão Verifica" é a fabricante de vacinas da Johnson & Johnson, a Janssen. "Restringir a um único grupo o poder de decretar o que é verdade é um dos maiores desatinos dos nossos tempos", afirmou Paula em sua coluna. (Veja o print aqui).


Apagão jornalístico

Ninguém, em sã consciência, pode afirmar que uma notícia sobre o fato de quanto mais os especialistas recebem da indústria, mais são contra a hidroxicloroquina, não é informação de interesse público. Por que isso não foi publicado em nenhum jornal de grande circulação? Falta de tempo não é. O estudo é de novembro de 2020.


Conclusão

Se você ouvir alguém por aí com opiniões "muito desfavoráveis" sobre a hidroxicloroquina, e essa pessoa não estiver com os bolsos cheios, saiba que se trata de um idiota.


Fonte

Leia o estudo completo aqui.


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Leia mais: entenda toda a saga da hidroxicloroquina contra a Covid, desde o início, neste artigo.

Hidroxicloroquina para profilaxia da COVID-19 atinge o mais alto nível de evidência científica

O estudo é uma meta-análise sobre profilaxia pré-exposição usando o medicamento.

Um recente estudo científico revisado por pares e publicado no prestigiado periódico científico Journal of Infection and Public Health, de alto impacto, colocou a hidroxicloroquina para prevenção da COVID-19 no mais alto nível de evidência científica.

O estudo, liderado pelos cientistas Raphael B. Stricker e Melissa C.Fesler, dos EUA, é uma meta-análise, o topo da pirâmide de evidências, e encontrou uma eficácia de até 75% na redução de infecções.

Stricker, o líder do estudo, é um cientista com longo histórico de pesquisas, com 196 publicações listadas na Pubmed, a maior biblioteca científica do mundo. Antes da pandemia de COVID-19, ele produziu estudos sobre o HIV, o vírus da AIDS, e sobre a doença de Lyme, entre outros.

A análise envolveu onze estudos de profilaxia pré-exposição com hidroxicloroquina executados na Índia, em profissionais de saúde. Tinha o objetivo de analisar a eficácia de uma dose inicial de 800mg (dois comprimidos) do medicamento na primeira semana, seguida de 400mg ( um comprimido) semanal, que é a dose do aconselhamento publicado pela Força-Tarefa Nacional do Conselho Indiano de Pesquisa Médica para COVID-19.

O resultado encontrado foi que o risco de infecção pela COVID-19 foi reduzido em 44%. E quando seis ou mais doses foram tomadas pelos profissionais, a redução chegou em até 75%, refletindo a atuação lenta e acumulada do medicamento. "Nos cinco estudos que incluíram profissionais de saúde que tomaram pelo menos seis doses semanais de PrEP HCQ, a taxa de infecção foi reduzida ainda mais", concluíram os cientistas.

Esses estudos de caso-controle envolveram um total de 7.616 pessoas. Onde 3.489 tomaram a medicação e 4.127 serviram como controle, para comparação. "Houve eventos adversos mínimos relatados nos indivíduos tratados com HCQ, consistentes com outros relatórios de segurança para o uso de HCQ em ensaios COVID-19", complementaram.

No estudo, os cientistas explicaram que a hidroxicloroquina pode ser uma alternativa às vacinas e abordaram as turbulências políticas em torno do fármaco. "Embora novas vacinas COVID-19 tenham se tornado clinicamente disponíveis, a segurança e eficácia dessas vacinas permanecem em aberto. Abordagens alternativas para prevenção de doenças receberam pouca atenção, e um medicamento, hidroxicloroquina (HCQ), foi atacado e rejeitado com base em estudos falhos e controvérsias políticas que obscureceram o valor deste tratamento como profilaxia pré-exposição (PrEP) para SARS Infecção -CoV-2", escreveram.


O que é profilaxia pré-exposição?

Profilaxia pré-exposição (PrPE ou em sua versão inglesa PrEP) é qualquer procedimento médico ou sanitário usado antes da exposição a um patógeno capaz de provocar uma doença, com o propósito de prevenir, e não tratar ou curar. É um método usado, por exemplo, contra a AIDS.


É o segundo uso da HCQ contra a COVID com nível máximo de evidência

Além do uso em profilaxia pré-exposição, há uma revisão sistemática, também o nível mais alto de evidência científica, revisada por pares e publicada na revista científica New Microbes and New Infections, onde os cientistas C. Prodomos e T. Rumschlag concluíram que a hidroxicloroquina é eficaz em tratamento precoce, nos primeiros dias de sintomas da doença: “Nenhum estudo imparcial encontrou resultados piores com o uso de HCQ. Nenhuma mortalidade ou eventos adversos de segurança graves foram encontrados”.


Link para o estudo

Publicado em 10 de agosto de 2021 (fonte)


Alô, checadores de fatos

Vão dizer que estudo científico não é estudo científico? Ou dizer que meta-análise não é meta-análise? Ou vão achar algum "especialista" para dizer que estudos que não são RCTs não comprovam nada? Se disserem isso, eles estão errados, afinal, a ciência já explicou que não há diferenças significativas entre RCTs e observacionais. Mais de uma vez, inclusive. Bem, acho que a única solução para dizer que o estudo não presta, é que é baseado em estudos da Índia, e que não foram feitos por brancos de olhos azuis.



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Quanto mais o especialista recebe da indústria farmacêutica, mais ele é contra a hidroxicloroquina, diz estudo

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Tratamento precoce: cientista brasileiro ganha apoio internacional após perseguição

Além dessas cartas, abaixo-assinado público já soma mais de 23 mil assinaturas em defesa do professor Paolo Zanotto, da USP.

Amanhã, dia de 13 de julho, o Dr Paolo Zanotto, professor da USP - Universidade de São Paulo, será réu em um julgamento atípico idealizado por uma comissão no ICB - Instituto de Ciências Biomédicas, da universidade.

O objetivo da comissão é avaliar a conduta e possivelmente penalizar Zanotto por sua defesa das diversas possibilidades de tratamentos para a COVID-19, como os cocktails que incluem ivermectina e hidroxicloroquina, medicamentos baratos, genéricos e sem patentes, que vem constantemente demonstrando eficácia contra a doença causada pelo vírus Sars-Cov-2, como a recente Revisão Sistemática com meta-análise, o mais alto nível de evidência científica, revisada por pares e publicada na revista científica American Journal of Therapeutics, que demonstrou redução significativa de mortalidade com a ivermectina.

Além de diversas correspondências brasileiras para a universidade, a comunidade internacional de cientistas de alto nível tem se mobilizado em defesa de Zanotto, como a carta enviada pelo Dr David Wiseman, cientista de Dallas, EUA, e assinada por diversos nomes importantes, com o professor Dr Harvey Risch, epidemiologista e professor da universidade de Yale, que recentemente apresentou todas as evidências científicas da hidroxicloroquina para combater a COVID-19, em um seminário médico no Instituto Mediterranée Infection, um dos mais conceituados centros de pesquisa da Europa.

Na carta, Wiseman faz observações. “A oposição ao tratamento precoce utilizando, por exemplo, hidroxicloroquina (HCQ) ou ivermectina (IVM) é largamente baseado em estudos com falhas graves”, afirmou.

Na sequência, Wiseman demonstrou falhas grosseiras no estudo da ivermectina feito na Colômbia, e publicado na Journal of the American Medical Association. Este estudo já foi alvo de escrutínio por mais de 100 cientistas, que apontaram seus erros e enviaram uma carta para a redação do periódico científico.

Na carta, Wiseman pede pela não ideologização dos tratamentos. "A política partidária não tem qualquer papel na ciência do Covid-19. Esta carta não pretende servir de apoio ou oposição a qualquer partido político ou indivíduo no Brasil, ou noutro lugar", afirmou.

Assinada por 35 pessoas, inclui mais pesos pesados da ciência mundial, como o professor Dr Hector Carvallo, da Argentina, Dr Joseph Ladapo, professor de medicina da David Geffen School of Medicine, da Universidade da Califórnia, Dr Russell Gonnering, professor de medicina no Medical College of Wisconsin, Dr Paul E. Alexander, especialista canadense em medicina baseada em evidências, além de alguns cientistas brasileiros, como a Dra Claudia Paiva, professora de imunologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Gustavo Carvalho, professor de medicina na Universidade Federal de Pernambuco, e Dra Marina Bucar, brasileira radicada na Espanha, professora de medicina na Universidad CEU San Pablo, em Madrid.


Segunda carta vem de um professor da University of Texas, Rio Grande Valley

Encabeçada pelo professor Dr. Eleftherios Gkiouleka, a carta comenta, além das evidências científicas, sobre os ataques que o professor da USP tem sofrido. "Recomendo fortemente que apoie a liberdade acadêmica de cientistas como o Dr. Paolo Zannoto, que o apoiem, pois ele está atacado por interesses corporativos e políticos que não têm o melhor interesses do povo brasileiro em mente", afirmou.

A carta de Gkiouleka é também assinada pelo Dr Vladimir Zelenko, um dos autores de um estudo da hidroxicloroquina que encontrou resultados significativos de eficácia, com um cocktail que envolvia HCQ, azitromicina e zinco, revisado por pares e publicado no periódico International Journal of Antimicrobial Agents.


Defesa cerceada

No julgamento que ocorrerá as 9h00, o direito à defesa está sendo suprimido. "Acredito que esta reunião só deva acontecer com a presença de advogados e que eles possam se expressar", protestou Zanotto. Além disso, ele fez outra demanda para a comissão: que a reunião seja aberta e transmitida ao vivo, já que não será presencial, mas sim por videoconferência.


Abaixo-assinado público já soma mais de 23 mil assinaturas

O abaixo-assinado público, mobilizado no site change.org, intitulado " Em defesa da liberdade acadêmica e do Professor Paolo Zanotto", já conta com 23,555 assinaturas, além de centenas de comentários. Já é classificado como um dos mais populares do website, com maior engajamento. Você pode assinar seguindo este link.

COVID-19: dois laureados com o Nobel de Medicina defendem o tratamento precoce

Ao mesmo tempo, "divulgadores científicos" brasileiros taxam de "negacionistas" aqueles que falam desses medicamentos

Em 2008, o médico virologista francês Luc Montagnier, 88, foi laureado com o prêmio científico de maior relevância no mundo, o Nobel de Medicina. Sua contribuição à ciência foi a descoberta do vírus HIV, causador da AIDS.

Em uma entrevista recente para o jornal France Soir, o cientista afirmou que tomará hidroxicloroquina e azitromicina, dois medicamentos baratos, genéricos e sem patentes, caso contraia o vírus que provoca a COVID-19.

A combinação de hidroxicloroquina com azitromicina para combater a COVID, defendida por Montagnier, é a proposta de tratamento de seu conterrâneo, o cientista Didier Raoult, professor e diretor do Hospital Universitário IHU-Mediterranée Infection, em Marselha, no sul da França.

Raoult é classificado pelo site Expertscape como o maior especialista no mundo em doenças infecciosas. Em seu longo histórico de pesquisas, ele já publicou mais de 3 mil estudos catalogados na plataforma Pubmed, o maior banco de estudos científicos no mundo.

O centro que Raoult dirige, considerado de excelência, tem produzido, desde o início da pandemia, um grande número estudos comprovando a eficácia da combinação de medicamentos na redução da mortalidade entre os infectados pela doença.

O maior estudo publicado pelo hospital universitário ocorreu com 3737 pacientes e constatou uma redução de mortalidade de 59% quando o cocktail de medicamentos foi usado em tratamento precoce. É revisado por pares e foi publicado na revista científica Travel Medicine and Infectious Disease.

Outro laureado com o maior prêmio da medicina a se posicionar a favor do tratamento precoce é o japonês Satoshi Omura, 85, vencedor do Nobel de Medicina em 2015. A principal contribuição de Omura à ciência foi a invenção da ivermectina, outro medicamento sem patentes que tem demonstrado constante eficácia no tratamento da COVID-19. Seu posicionamento a favor do medicamento foi externado logo depois que a Associação Médica de Tóquio passou a recomendar a Ivermectina para evitar o agravamento da doença causada pelo coronavírus.

Em longo artigo científico revisado por pares e publicado na conceituada revista científica The Japanese Journal of Antibiotics, Omura, juntamente com outros três cientistas, avaliaram diversos estudos, como o de Niaee, um teste de eficácia randomizado, “padrão ouro”, executado no Irã, que constatou uma redução de mortalidade de mais de 80% entre os pacientes tratados com o medicamento.

“Uma meta-análise relatou melhorias de 83% no tratamento precoce, 51% no tratamento tardio e 89% na prevenção de COVID-19. A probabilidade desse julgamento ser um erro é tão baixa quanto 1 em 4 trilhões”, complementou Omura em sua publicação.

No fim do artigo, ao se referirem a invermectina, os cientistas lembraram de outro medicamento que revolucionou a medicina: “Pode até revelar-se comparável aos benefícios alcançados com a descoberta da penicilina, dita como uma das maiores descobertas do século XX”.

O jornal japonês Daily Shincho, informa que Omura insiste em que uma aprovação especial seja concedida para tratamento no Japão. “Os ensaios clínicos levam tempo, mas devido à abundância de dados no exterior, pode não ser necessário realizar ensaios clínicos no Japão”, afirmou.

“Algumas pessoas morrerão se estiverem esperando por um ensaio clínico”, complementou Omura.


Sobre a eficácia da Hidroxicloroquina

Hoje, 11 de Abril, existem 30 estudos em tratamento precoce usando a hidroxicloroquina. Em todos eles, os grupos de tratamento alcançaram resultados clínicos superiores aos grupos comparativos não medicados, em casos de estudos observacionais, ou dos grupos que receberam placebos, nos casos dos estudos “padrão ouro”.

Em revisão sistemática - o mais alto nível de evidência científica - revisada por pares e publicada na revista científica New Microbes and New Infections, os cientistas C. Prodomos e T. Rumschlag,  concluíram que a hidroxicloroquina é eficaz em tratamento precoce: “Nenhum estudo imparcial encontrou resultados piores com o uso de HCQ. Nenhuma mortalidade ou eventos adversos de segurança graves foram encontrados”.


Sobre a eficácia da Ivermectina

Em uma meta-análise - igualmente o mais alto nível de evidência, como as revisões sistemáticas - disponibilizada por Stefanie Kalfas, da conceituada Universidade de Melbourne, na Austrália, concluiu que houve “benefício de mortalidade positivo, tempo reduzido para recuperação clínica, incidência reduzida de progressão da doença e duração diminuída de admissão hospitalar em pacientes em todos os estágios de gravidade clínica”.

Em outro estudo científico, o The BIRD Recommendation on the Use of Ivermectin for Covid-19, um esforço filantrópico colaborativo envolvendo um grupo internacional de profissionais de saúde, disponibilizou recentemente uma meta-análise e concluiu que a ivermectina pode reduzir o risco de morte entre pacientes com COVID-19 em 68%, além de constatarem que efeitos colaterais graves não são frequentes. A profilaxia entre aqueles com alta exposição pode reduzir o risco de infecção em até 86%, concluíram os cientistas.

A mais recente meta-análise sobre o medicamento foi publicada na prestigiada revista científica Pharmacological Reports. É revisada por pares, o que garante a integridade científica do estudo. O esforço foi liderado por Chia Siang Kow, da International Medical University, de Kuala Lumpur, na Malasia. Os cientistas concluíram que “o efeito estimado da ivermectina indicou benefícios de mortalidade”.


No Brasil, "divulgadores científicos" taxam de "negacionistas" aqueles que falam desses medicamentos

Enquanto dois premiados com o Nobel, entre outros cientistas de alto prestígio no mundo todo, mostram visões positivas em relação aos tratamentos com os dois medicamentos, em contraste, divulgadores científicos com espaço na grande mídia brasileira forçam uma narrativa de que, por apenas falar do assunto, as pessoas são malucas, dementes ou terraplanistas. “Além de proporcionar falsas esperanças às pessoas que acreditam nas informações infundadas que recebem, é inevitável que causem impacto negativo na pandemia.”, afirmou Natalia Pasternak em uma coluna no Jornal O Globo no fim de dezembro, quando falava sobre a ivermectina. Além disso, Natália é convidada frequente de canais de televisão com a Globonews.

Outro influencer científico que ganhou fama durante a pandemia é Atila Iamarino. Ele já possui mais de 1 milhão de seguidores no twitter, número que tem crescido constantemente desde o início da pandemia. O youtuber, formado em biologia, também é figura frequente em debates televisivos e já soube aproveitar a fama repentina: tornou-se garoto propaganda de anúncios de televisão, onde, ironicamente, em uma campanha publicitária, ele alertou sobre “Fake news”. Ao se referir a hidroxicloroquina, Átila costumeiramente ironiza. “A gente precisa daquele dinheiro que gastamos com a balinha de cloroquina”, afirmou em janeiro, quando revisões sistemáticas já estavam revisadas e publicadas.

“Enquanto diversos cientistas sérios do mundo estudam vários medicamentos para tratar a doença, alguns outros que se dizem cientistas preferem ficar acusando e rotulando nas redes sociais aqueles que buscam soluções. Basta você verificar quais são os melhores argumentos e qualificações”, afirmou Matheus Ferreira, especialista em farmacologia clínica.


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COVID-19: professor da Unicamp faz desafio e ganha aula gratuita de professor da USP

É a polêmica de sempre. Hidroxlicloroquina, ivermectina e o tratamento precoce.

“Não se deixe enganar”, esbravejou Leandro Tessler, professor do Instituto de Física da Unicamp. O alerta foi com o dedo em riste, apontando para a o telespectador. Era o final de um vídeo, publicado no canal oficial da TV Unicamp, onde o professor se propôs a explicar que as meta-análises produzidas pelo grupo de cientistas do c19study.com representam, nada mais, nada menos, que uma farsa da internet.

“O C19study é um site que deliberadamente junta confusão para enganar você”, afirmou pouco antes. Tessler se apresenta como membro do Grupo de Estudos de Desinformação em Redes Sociais (Edres) da Unicamp, onde ele se propõe a classificar, com o selo da respeitada universidade, o que representa informação falsa ou verdadeira na internet.


O que é o c19study?

O site foi criado por cientistas que preferiram trabalhar de modo anônimo. Essa decisão foi tomada depois que Didier Raoult, o cientista francês que propôs o tratamento da COVID-19 com hidroxicloroquina e azitromicina, dois medicamentos baratos e genéricos, passou a sofrer ameaças de morte a partir de outros cientistas ligados à lucrativa indústria farmacêutica.

O c19study se propõe a catalogar todos os estudos de tratamentos para a doença causada pela pandemia. Eles possuem seções inteiras sobre a hidroxicloroquina, ivermectina, vitamina D, Vitamina C, bromexina, fluvoxamina, entre outros. No total, hoje, 5 de abril de 2021, já são 538 estudos. Entre os medicamentos com mais artigos estão a hidroxicloroquina, com 277, a Ivermectina com 49 e a vitamina D, com 65. O site é um valioso repositório e está sempre atualizado. De cada estudo clínico, eles fazem um resumo e apontam o link para a fonte original. A grande maioria é revisada por pares. Além disso, o site produz algumas meta-análises.


O que são meta-análises?

Quando você possui uma quantidade razoável de estudos sobre um determinado tema, como a hidroxicloroquina, por exemplo, os cientistas produzem meta-análises. É um olhar sobre todos os estudos publicados e seus resultados. No caso, eles produziram uma da ivermectina, outra da hidroxicloroquina e outra da vitamina D.

Existem outras meta-análises publicadas no mesmo sentido, como a produzida por Chia Siang Kow, da International Medical Univeristy, de Kuala Lampur, Malásia, e a da britânica Tess Lawrie, da Evidence-Based Medicine Consultancy. Ambas indicando a eficácia da Ivemectina.


A polêmica e o desafio

Em todos os estudos científicos da área, há um cálculo chamado de p-valor. É um termo da estatística que define o quanto do resultado apresentado, como a eficácia de um fármaco, pode ser fruto do acaso. Ou seja, define o quão confiáveis são os resultados apresentados. Nos casos das três meta-análises, o cálculos de p-valor representam valores bastante baixos, indicando que os efeitos, como reduções de mortalidade, vem realmente dos medicamentos.

“Eles simplesmente multiplicam os diferentes p-valores, obtendo valor de p-valor muito baixo”, afirmou Tessler no vídeo. Logo ele lançou um desafio em seu twitter.

Para ele, era um grande mistério de onde surgiu o cálculo. Tessler desafiou que lhe explicassem depois que alguém reclamou.


Será que está errado?

Eu, pessoalmente, não sou cientista, matemático ou estatístico. Ao ver o desafio de um professor da Unicamp, feito deste modo, indicando certeza absoluta na farsa, eu fiquei na dúvida se os cientistas do por trás das meta-análises erraram. Seria um erro evidente e grosseiro.

Eu uso o site e as meta-análises como referência para saber dos últimos estudos e efeitos dos medicamentos. Eu poderia estar sendo ingênuo ao acreditar nos resultados.

Na verdade, eu mantenho contato com os criadores do c19study. Isso acontece desde julho do ano passado, desde quando publiquei um artigo sobre minha escolha pessoal de possíveis tratamentos em caso de contrair o vírus. O artigo: "Hidroxicloroquina: a narrativa de que não funciona é a maior farsa da história recente da humanidade", publicado em português, em francês, na France Soir, um jornal de Paris, e em inglês, viralizou na internet em cada uma das línguas, com centenas de milhares de acessos.

Depois desse artigo ter tomado uma proporção maior do que eu imaginava, onde eu explicava minha posição do ponto de vista de um paciente, acabei desenvolvendo contato com diversos cientistas do Brasil e do exterior. Muitos que publicavam novidades, análises e estudos me aceitaram como amigo no facebook ou me seguiram no Twitter.

Depois disso, quando a primeira meta-análise do coletivo de cientistas do c19 estava quase pronta, antes da divulgação, eles me enviaram mensagem solicitando minha opinião. Eu fiquei lisongeado, mas afirmei que não tinha capacidade para fazer alguma observação científica além do entendimento básico: se era de fácil leitura, de fácil compreensão para um não especialista, além de compatível com meus dispositivos.

Talvez fosse este mesmo o teste que eles solicitavam. Se uma pessoa comum fosse capaz de entender, o estudo já poderia ter uma boa penetração tanto na classe cientifica e médica, como entre pacientes.

Entretanto, perguntei aos autores se eu deveria coletar mais algumas sugestões de outros cientistas que mantenho contato. Eles acharam interessante e eu passei o "pré-print" a diversos deles.

Eu tinha contato, entre diversos do mundo todo, com Daniel Tausk, professor de matemática da USP. Lembro que ele deu alguns feedbacks que encaminhei diretamente para os autores. Tausk comentava algo sobre alguns dos diversos cálculos, sua especialidade. Virologistas, imunologistas e bioestatísticos também deram suas valiosas contribuições.

Além disso, intermediei a coleta de feedback de outros cientistas dos EUA, também de múltiplas especialidades dentro da ciência, trabalhando na pandemia.

Meu feedback pessoal não passou de nada além de um "achei legal, entendi quase tudo e funcionou no meu computador". Depois de minhas observações, eles deixaram algumas partes do artigo mais claras e explicadas, para que até pessoas do meu nível entendam.


Professor da Unicamp descobriu sozinho uma farsa mundial?

O professor de medicina Peter McCullough, da Universidade de Baylor, uma das mais conceituadas dos EUA, ao conceder uma entrevista para a SkyNews da Austrália, repetiu o número de valor p da meta-análise, com os valores apresentados na época da entrevista: "Apenas uma em 17 bilhões a chance da hidroxycloroquina não estar funcionando".

Cada novo estudo que entra na análise, o valor muda, para mais ou para menos. Hoje, 4 de abril, o estudo indica o seguinte: "HCQ é eficaz para COVID-19. A probabilidade de um tratamento ineficaz gerar resultados tão positivos quanto os 231 estudos até o momento é estimada em 1 em 3 quatrilhões".

O professor McCullough é um cientista de altíssimo nível. Ele possui um índice-H, referência da produção científica, de 113, uma classificação altíssima. O professor Peter é editor de duas grandes revistas em seu campo de atuação na medicina. Ele é um dos cientistas mais publicados no mundo quando se refere a coração e rins.

Outro cientista de alto nível que já usou os dados do c19study em suas apresentações é o professor Didier Raoult, diretor do IHU — Mediteranée Infection, um dos centros científicos mais produtivos de toda a Europa. Raoul, cientista premiado com as mais altas distinções francesas, possui um impressionante índice-H de de 187.

Enquanto isso, Leandro Tessler possui um índice-H de míseros 15, algo incompatível com tantas certezas e poucas dúvidas.

Foi quando me perguntei: será que esses cientistas de altíssimo nível também foram enganados com um cálculo apontado como imensamente grosseiro por um simples professor de física da Unicamp?


Com a dúvida resolvi consultar o Daniel Tausk

"Os caras do HCQmeta comeram bola mesmo ou não?", perguntei ao matemático, falando do p-valor apontado como um desastre.

Em bate-pronto, Tausk repetiu a conta que era um mistério para Tessler. Além disso, deu uma aula técnica: “Eles contaram 172 estudos positivos em 219. Fazendo o teste de sinal, o p-valor unicaudal é a probabilidade de ter ao menos 172 caras em 219 lançamentos de uma moeda honesta. Fazendo no R, o p-valor é 1 em 327 quadrilhões, como eles dizem”.

Tausk enviou esta imagem para explicar a matemática da meta-análise.

"Agora, se é razoável contar que são 172 estudos positivos em 219 é outra história. É um trabalho monumental que eles fizeram, mas essa parte da conta é trivial e tá certa".

Tausk, que tem se aprofundado nos estudos randomizados de diversos tratamentos e recentemente deu um aula para o Ciclo de Palestras de Chapecó, onde explicou, junto com Flavio Abdenur, outro doutor em matemática, as meta-análises de tratamentos, como a do professor Harvey Risch, de Yale, manteve o foco na questão principal, a origem do cálculo do p-valor, entendido como "misterioso" pelo físico da Unicamp, não em todos os aspectos meta-análise.

 "Enfim, como a metanálise deles é um trabalho hercúleo, é muito difícil conferir (todos os detalhes). Agora, 100% mentira que esses p-valores baixos estão saindo de multiplicação de p-valores".

"Acho ótimo que pessoas se disponham a corrigir problemas nesse site, mas é fundamental que os problemas apontados sejam os problemas reais e não problemas imaginários", complementou Tausk em um post completo em seu facebook, inclusive com a explicação técnica para quem é da área.


Acredite, a explicação está na própria meta-análise

"Realmente é um mistério o que haveria de desafiador no tal desafio", afirmou Tausk, apontando no próprio estudo, marcando de vermelho, onde estavam as explicações, para que todos entendam.

Detalhe: está logo no segundo parágrafo da introdução a explicação de como o p-valor foi calculado, citando o teste pelo nome, inclusive.


Tessler tentou mudar de assunto para dizer que tinha razão, agora seu foco não era mais sobre o "misterioso" p-valor, mas sim sobre o método usado. E um amigo dele saiu em sua defesa.

Depois de entender o mistério, Tessler resolveu se continuar atacando. Ele afirmou que os autores da meta-análise "não tem noção de como se calcula p-valor em uma meta-análise" ainda sugerindo que são amadores. 

"Age de má fé ao apresentar isso para público leigo", complementou o físico sobre o estudo.

Em defesa de Tessler, o médico José Alencar, que em seu perfil usa o imponente termo "Medicina Baseada em Evidências", além de informar que é, segundo ele, autor do livro de ECG mais completo do Brasil, também protestava, no chute, que as tais meta-análises eram baseadas em uma conta falsa "multiplicando os valores de p", o que é uma mentira. Ele usava o termo "desmascarar", sem o menor constrangimento, ao se referir aos cientistas do c19study.

Alencar, em contraste com o professor Peter McCullough, que possui 633 artigos publicados na Pubmed, e Didier Raoult, com mais de 3 mil artigos publicados na mesma plataforma, possui apenas sete artigos científicos indexados ali. É a produção de toda sua carreira.

Depois de ambos entenderem que o cálculo de p-valor existia, na ânsia de defender Tessler, Alencar classificou o uso como "absurdamente pior". E seguiu apontando o que seria uma "narrativa falsa". Ganhou muitos likes entre os mais de 18 mil seguidores que possui no Twitter.

Já não era mais função de Tausk defender a meta-análise produzida pelos cientistas do c19study. Ele apenas se propôs a explicar de onde veio o p-valor, o motivo do "desafio" do físico da Unicamp.

Entretanto, mesmo com todas as ressalvas por não ter feito uma conferência completa no c19 estudo, Tausk apresentou que a forma de usar o p-valor em "Teste de Sinal" estava correta para meta-análises. Ele mostrou slides da palestra baseada no livro de Hannah R. Rothstein, do Baruch College‐ City University of New York, entitulado como "Basic Aspects of Meta‐Analysis".

"A conversa aqui tem zero relação com a questão concreta da eficácia das drogas. Zero. Eu poderia falar sobre isso também, mas não é esse o tema do post. Estou falando de questões fundamentais de estatística e probabilidade e das hipóteses de aplicabilidade de um determinado teste numa determinada situação", afirmou Tausk em um comentário em seu facebook.

"Esse terceiro item descreve precisamente a situação que o c19 study pretende tratar", explicou Tausk em um debate acalorado em seu Facebook.


Sem argumentos, Tessler resolve chamar Tausk de porco

Irônico, chamando Tausk de "genio", por apenas ler e fazer um cálculo trivial para especialistas, Tessler resolveu colocar o ícone de um porco para ofender e continuar afirmando que está certo, se sentindo seguro e empoderado pelo apoio de Alencar.

Logo em seguida, assumiu que "talvez seja burro".


Tessler assume que não leu o estudo

Um usuário do twitter perguntou se o método estava descrito no estudo. O professor de Física assume que não leu o trabalho que ele se propôs a destruir com tanta veemência. Alegou falta de tempo. Além disso, afirmou que a explicação, absolutamente clara, era "cifrada".


Especialistas receitam os medicamentos para eles quando contraem a COVID-19, mas em público, postam-se contra, na maioria das vezes, sem argumentos válidos

"Quando são os familiares deles, eles prescrevem", informou um médico do nordeste que não quis se identificar.

Outro médico que atende pacientes com o tratamento precoce, obtendo um número de quase 600 pacientes tratados e apenas um óbito, exatamente em um paciente que parou de tomar as medicações, confirmou. "Conheço pior, quatro colegas 'radicais' que pediram sigilo absoluto pós tratamento. Óbvio que jamais revelarei qualquer nome de quem ajudei. Mas seguem, após a cura, contra".

O relato vai em encontro com o caso do médico David Uip, ex-diretor-executivo do Instituto do Coração de São Paulo (Incor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Uip é considerado um dos maiores especialistas em doenças infecciosas, em especial a AIDS, do país.

Na notícia publicada no site Migalhas, que cobre a área jurídica, informa que Uip processou o farmacêutico que vazou uma receita, e ganhou em primeira instância. "Na receita, o médico, que estava com covid-19, prescreveu a si próprio, Difosfato de Cloroquina, 250 mg. Dias após a compra do medicamento, a imagem da receita passou a circular em diversas redes sociais, provocando grande repercussão", explicava a notícia publicada no site, antes de informar que o processo corre em segredo de justiça.


Integridade científica

Tessler assumiu que não leu o estudo que se propôs a destruir em nome da conceituada Unicamp. Tessler assumiu que “talvez seja burro”.

Tessler divulgou informação falsa ao dizer que os valores de p da meta-análise eram multiplicados.

Além disso, Tessler disse que retiraria o vídeo caso alguém explicasse porque o p valor estava correto. Depois da explicação feita, o físico resolveu ofender um professor respeitado usando ícones de animais.

Tessler é parte de um esforço oficial da Unicamp contra fake news em rede social e é também a própria fonte de fakenews.

Esse é o que se diz ser defensor da ciência e autoridade em classificar o que é verdadeiro ou falso?

Só me sobra mais uma pergunta: até que ponto a Unicamp está disposta a dar suporte a coisas desse tipo?

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